|
A denúncia é uma das poucas saídas para o assédio moral. Esta é uma das conclusões do encontro “Mulher Contemporânea”, que aconteceu na segunda-feira, oito de março, no Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul.
Para a procuradora do Ministério Público do Trabalho de Caxias, Priscila Boaroto, “o assédio moral está cada vez mais frequente, e o trabalhador que a ele está submetido deve procurar os meios para se defender, buscando denunciar ao Sindicato da sua categoria, ao Ministério Público, às superintendências regionais do MTE ou à Justiça”, afirma.
Ela diz ainda que é preciso diferenciar o assédio da pressão pelo cumprimento de metas, que também é comum. O assédio moral ou sexual reúne especificidades próprias, como a repetição do ato, que deve ter a intenção de humilhar o trabalhador. “O assédio é uma conduta reiterada do empregador, que abala não apenas fisicamente o trabalhador, mas também o seu psicológico”, explica.
Segundo a procuradora, o assediador não para com seu comportamento quando o trabalhador assediado se desliga da empresa. “Quem pratica o assédio o faz porque este é o seu perfil. Ele é perverso, se satisfaz ao ver o sofrimento do outro”, afirma Priscila. “Dificilmente o empregador que assedia despede o trabalhador. Ele é mantido no trabalho até que não aguente mais e peça para sair. E o próximo funcionário que o substitui vai sofrer com as mesmas práticas”, diz.
Provas
A denúncia é a única forma de se interromper este ciclo. Para isso, é necessário que o trabalhador vítima de assédio reúna o maior número possível de provas, já que a prática é de difícil comprovação. “Quem vem sofrendo de assédio deve reunir munição, como o testemulho de colegas que viram a cena. Ele deve anotar o horário, dia e local em que a prática de assédio aconteceu, assim como telefones, e-mails, endereços dos colegas, para caso precise comprovar a violência”, exemplifica Priscila.
Violência
O assédio é uma violência física e psicológica contra o trabalhador, segundo Stelamaris Zanatta Tizzato, psicóloga que presta assessoria na área para o Sindicato dos Bancários de Caxias. “Geralmente, quando falamos em violência, pensamos apenas na violência física, mas a psicológica é muito mais comum e de certa forma, invisível, podendo gerar uma série de doenças ocupacionais”, afirma.
Stelamaris explica que o assédio favorece a ocorrência de acidentes ligados ao trabalho, assim como proporciona o surgimento de uma série de doenças com danos que podem ser irreversíveis.
Pesquisas sobre o tema indicam que homens e mulheres assediados sofrem com dores generalizadas, palpitações e tremores, sentimentos de inutilidade, insônia ou sonolência excessiva, depressão, diminuição da libido, hipertensão, dores de cabeça, distúrbios digestivos, falta de apetite ou ganho de peso. Até mesmo o suícidio pode ser cogitado e levado à prática pelas vítimas de assédio.
Entre homens e mulheres, há diferenças na forma de ‘responder’ ao assédio. Enquanto elas têm mais crises de choro, os homens sofrem mais com a raiva e sentimentos de vingança.
Palestrantes
Denise Falkenberg Corrêa, da diretoria sobre a Mulher Trabalhadora da Federação dos Bancários do RS (Feeb-RS) e Carine Silva, integrante da executiva da Marcha Mundial das Mulheres também palestraram no evento.
*Karine Endres - Assessoria de Imprensa Bancax com edição da Feeb/RS
10/03/2010
|