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Em todo o mundo, o Santander registrou lucro líquido de 8,943 bilhões
de euros em 2009, um avanço de 0,7% em relação ao ano anterior.
Segundo os critérios utilizados para divulgação de resultados na
Espanha, a subsidiária brasileira do banco espanhol respondeu por 20%
desse resultado global, com lucro líquido de US$ 3,013 bilhões, e um
crescimento anual de 27% no lucro líquido em dólar.
"Apesar de a Espanha viver uma grave crise financeira, nós, no Brasil,
praticamente não sentimos os efeitos desse período difícil. Mesmo o
resultado global do Santander mostra que o banco tem se saído muito
bem nesses momentos de crise", afirma Fábio Barbosa. Para ele, isso se
deve à estratégia conservadora adotada pela instituição. "Já fomos
considerados monótonos, por não nos envolvermos com ativos de alto
risco para impulsionar ganhos de curto prazo. Por isso os resultados
são tão bons." Do total do resultado apurado pelo Santander na América
Latina, o Brasil responde por 57%.
Crédito anima Santander a prever expansão Mesmo com a grave crise
vivida em seu país de origem, os números mostram que o banco Santander
Brasil sentiu muito pouco os efeitos do pior momento da economia
mundial das últimas décadas. Apesar de registrar crescimento de
somente 1,7% no ano passado em sua carteira de crédito, que chegou a
R$ 138,394 bilhões, o lucro da instituição, segundo os padrões
brasileiros de contabilidade (BRGaap) foi de R$ 5,508 bilhões em 2009,
um avanço de 40,8% em relação ao ano anterior, sem levar em conta a
amortização de ágio pela aquisição do Banco ABN Real.
Para este ano, o presidente do Grupo Santander Brasil, Fábio Barbosa,
espera um crescimento mais significativo na carteira de crédito e
consequentemente, nos resultado final. "Evitamos fazer uma projeção
exata, mas podemos dizer que no Brasil, para cada 1 ponto percentual
de crescimento do PIB, o crédito cresce de 2 a 2,5 pontos percentuais.
Portanto, estamos otimistas", afirma.
E o crédito já deu sinais de recuperação no último trimestre do ano
passado. O crescimento entre outubro e dezembro foi de 4,1%, em
relação ao do terceiro trimestre de 2009, com destaque para a carteira
de grandes empresas, que cresceu 7,7%. "Este ano esperamos um
crescimento mais acelerado no crédito para pequenas e médias empresas,
já que as grandes devem voltar a se financiar no mercado de capitais",
afirma Barbosa. No ano passado, esse segmento registrou queda de 5,5%,
mas no quarto trimestre, houve incremento de 4,5%.
A favor do banco este ano estará também o grande volume de capital
disponível para emprestar. Por conta da oferta pública inicial de
ações (IPO, na sigla em inglês) realizada no ano passado, o Índice de
Basileia - relação entre o volume emprestado e o patrimônio da
instituição - está em 25,6%. O Banco Central determina que essa
relação não fique abaixo de 11%. "Essa posição não é a ideal para o
banco, mas para aumentar nossa carteira temos de investir em agências,
e nossa meta é abrir até 150 novas agências em 2010", conta Barbosa.
No que diz respeito à inadimplência, as operações com atraso superior
a 90 dias representavam 5,9% da carteira total do banco ao fim de
2009, contra 3,9% em relação a 31 de dezembro de 2008. Mas, nesse
quesito, os números também já dão sinais de melhora, já que o nível de
atrasos fechou o terceiro trimestre do ano passado em 6,5% da
carteira. "Nós não temos um patamar ideal, mas acreditamos que os
níveis de inadimplência vão continuar a cair", afirma o presidente do
Santander. Nas operações para pessoa física, houve um crescimento de
33% nas operações de crédito consignado, 30,6% no imobiliário e 21,4%
em cartões. Mas no financiamento de veículos, o incremento foi de
somente 2,8%. "Esse baixo crescimento é resultado de uma estratégia do
banco: esta linha tem uma rentabilidade pequena, e nós resolvemos
deixar de brigar por participação no mercado, e procuramos melhorar o
resultado", afirma Barbosa.
Integração com o Real
Um dos fatores que contribuíram para o bom resultado do Santander em
2009 foi a sinergia de custos pela fusão com o Real. "Tínhamos uma
meta de conseguir R$ 800 milhões em sinergia de gastos no ano passado,
e conseguimos atingir R$ 1,1 bilhão", conta Barbosa. O banco projeta
atingir R$ 1,6 bilhão em sinergia no decorrer deste ano, e mais R$ 2,4
bilhões no próximo ano. "Esperamos finalizar a última etapa da
integração entre os dois bancos até setembro. Em maio, iniciamos o
processo de integração das agências", completa.
Outro fator importante é o crescimento das receitas com produtos e
serviços do Santander em 2009. Dos sete segmentos de origem das
receitas da instituição, somente dois registraram queda: fundos de
investimento (-11,2%) e comércio exterior (-3,2%). A categoria que
registrou a maior alta foi a de seguros e capitalização, com
incremento de 23,4% em relação a 2008, com receita total de R$ 1,042
bilhão. "A convergência entre os dois bancos e o fim da parceria que o
Real tinha com a Tokio Marine nos ajudaram a conseguir esse
resultado", explica Barbosa.
As receitas com estruturação de operações no mercado de capitais
também cresceram substancialmente, passando de R$ 413 milhões em 2008
para 539 milhões no ano passado. "Tivemos uma ajuda do nosso próprio
IPO, mas o fundamental foi a liderança no segmento de fusões e
aquisições conseguida no ano passado", afirma o presidente do
Santander Brasil.
O Grupo Santander Brasil anunciou ontem um lucro líquido de R$ 5,508
bilhões em 2009, um avanço de 41% em relação ao resultado do ano
anterior. O bom resultado foi consequência principalmente da política
de redução de custos do banco, e também do aumento das receitas com
tarifas e seguros, já que a carteira de crédito da instituição cresceu
apenas 1,7% no ano.
Segundo Fábio Barbosa, presidente do Santander Brasil, os números do
quarto trimestre mostram que o ano de 2010 deve ser melhor para o
banco. "Tivemos um crescimento de 4,1% na carteira de crédito no
último trimestre do ano passado. Não quero fazer uma projeção
específica, mas acredito que teremos um crescimento maior este ano."
Um fator que pode facilitar um incremento mais significativo do
crédito no Santander em 2010 é o volume de capital disponível para
emprestar. O Índice de Basileia do banco (relação entre os recursos
emprestados pelo banco e seu patrimônio líquido) está em 25,6%; o
Banco Central determina que esse índice não fique abaixo de 11%.
"Queremos baixar esse número, mas para conceder mais crédito
precisamos também abrir mais agências, e nossa meta é inaugurar 150
novas agências neste ano", revela o presidente do Santander Brasil. A
subsidiária brasileira do banco espanhol responde por 20% do resultado
mundial da instituição e por 57% dos lucros conseguidos na América
Latina.
*DCI
8/02/2010
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