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09 de Setembro
Oficina debate crise econômica mundial e regulação do sistema financeiro
Atividade promovida pelo Sindbancários, Feeb/RS e Contraf/CUT trouxe para o Fórum Social Mundial uma das lutas prioritárias para o movimento sindical bancário
Fotos: Marisane Pereira Feeb/RS
Fotos: Marisane Pereira Feeb/RS


A oficina Um outro sistema financeiro é possível lotou o auditório da Casa dos Bancários na tarde desta quarta-feira. Integrada à programação do Fórum Social Mundial 10 Anos, a atividade contou com a participação do economista e assessor da Contraf/CUT, Carlos Eduardo Carvalho e da filósofa norte-americana, Susan George. Clique aqui para ver a galeria de imagens da oficina!

A mesa de abertura do evento foi composta pelo presidente do SindBancários, Juberlei Baes Bacelo; pelos diretores Amaro Souza da Feeb/RS e Miguel Pereira da Contraf/CUT; pelo representante do Comitê do Fórum Social Mundial, Mauri Cruz e pelo presidente da CUT/RS Celso Woyciechowsky. 

Após sua saudação, o presidente do SindBancários disse que enquanto trabalhadores do sistema financeiro, os bancários têm uma tarefa maior na reflexão e na busca de alternativas para o modelo econômico atual. “Esperamos que este debate nos sirva na luta pela construção de uma sociedade e por um sistema financeiro responsável”. 

Para o diretor da Feeb/RS, Amaro Souza, é preciso ampliar e aprofundar as discussões sobre o SFN. O sindicalista também questionou o tratamento dado pelos bancos aos seus trabalhadores. “Nós integramos este sistema e o sustentamos com a nossa força de trabalho. Por outro lado, somos vítimas das instituições bancárias, que deterioram cada vez mais as condições de trabalho em função do lucro a qualquer custo. Os bancos fecham postos de trabalho sem justificativa, usando a rotatividade para reduzir a média salarial dos trabalhadores”. 

O diretor da Contraf/CUT, Miguel Pereira, destacou que os bancários estão empenhados na formatação de uma proposta de regulamentação para o sistema financeiro nacional e que a entidade abrirá em breve, um grande fórum para discutir o tema. “Depois de fomatar a nossa proposta vamos fazer a disputa na sociedade, que é onde interessa”. 

Já o representante do Comitê do FSM, Mauri Cruz, salientou o sucesso do retorno do evento à Porto Alegre e a riqueza dos debates que estão ocorrendo na capital e região metropolitana. “A humanidade precisa do Fórum Social Mundial. Somos o lugar da diversidade, onde outro mundo é possível”. 

Após as manifestações dos integrantes da mesa de abertura, o economista, professor da PUC/SP e assessor da Contraf/CUT, Carlos Eduardo Carvalho, fez uma explanação sobre as origens da crise econômica mundial e o papel do sistema financeiro internacional neste contexto.

De acordo com o economista uma das principais contradições da crise econômica mundial não recebe a devida atenção. Trata-se do potencial destrutivo do sistema financeiro. Ele também observou que as consequências da crise ainda são confusas e incertas. “Não sabemos como o sistema de intervenção dos governos será desmontado. Não tenho tenho certeza se voltaremos ao mundo que era antes”. 

O economista disse que o desenvolvimento econômico mundial agora coloca desafios originais. “Antes da crise tínhamos três grandes críticas ao sistema financeiro: a concentração de renda e riqueza, seu potencial desorganizativo e destrutivo e a absoluta ausência de transparência. Uma falta de transparência pela nossa incapacidade de regulação e fiscalização das atividades financeiras”.
 
Carlos Eduardo ressaltou que para levar adiante a discussão sobre a regulamentação do sistema financeiro é preciso ter mais cooperação entre os bancos centrais. Ele também observou que não há nenhum acordo de regulação monetária sobre as moedas mais valiosas do mundo, o que dificulta qualquer iniciativa. “A questão da regulamentação esbarra na ausência de regulação macroeconômica. Como pensar em regulamentação se as elites querem a desregulamentação cambial e conseguem ganhar a opinião pública e os governos?”. 

Para a filósofa e dirigente da Attac-França (Associação pela Taxação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos), Susan George, com a crise econômica surgiu uma grande crise de justiça. Ela explicou que aqueles que geraram a crise foram recompensados. Por outro lado, Susan afirma que os inocentes, incluindo os trabalhadores que perderam seus empregos foram punidos. 

Susan lembrou que o socorro dado aos bancos chegou a cerca de 14 trilhões de dólares. Segundo ela, com isso os governos alegam não ter dinheiro para investir em saúde, emprego, educação, alimentação... “Isto não é verdade. Eu acho que o G20 está propondo nada para evitar uma nova crise, que pode ser pior do que esta”. 

A ativista enfatizou que as finanças hoje tomam as grandes decisões do mundo e que é preciso inverter esta lógica. “Os sindicatos, vocês brasileiros, devem empurrar os seus governos porque eles não estão se expressando o suficiente. Os movimentos sociais são remédios genuínos para as crises que estamos vivendo”. 

Susan também destaca que a sociedade é quem paga pelos bancos, que criam produtos financeiros o tempo todo, fora da economia real. Na sua avaliação, o dinheiro vem basicamente dos bolsos dos trabalhadores, porque a natureza e o trabalho constituem a base de tudo na economia. “O sistema financeiro precisa de regulação, mas eu chamo de socialização. Parte dos bancos tem que ser socializada”. 

Para enfrentar os desafios do desenvolvimento econômico sem colocar o planeta em risco, a filósofa defende o conceito de convergência verde. “Nós precisamos de transporte alternativo, de reflorestamento, do cultivo da biodiversidade e da transferência de tecnologia verde”. 

Em sua análise final, Susan resumiu que é preciso mudar a ordem das coisas. Ela fez uma analogia com o mundo atual, onde as finanças aparecem primeiro, seguidas pela economia e onde só depois surgem a sociedade e a biosfera. Na sua opinião esta ordem deve ser invertida.

*Marisane Pereira, Mtb/RS9519
Imprensa Feeb/RS
27/01/2010

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